Literatura :: crônica :: texto e ilustração: Donna

 

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Invisível Devaneio

Você, ser invisível, fechou as cortinas e nada mais pude ver. E já estava impotente, pois assim você me faz. Senti o toque suave de suas mãos sobre o meu ombro. Estremeci com um arrepio. Como um ritual, despiu-me de minhas vestes, a tocar-me habilidosamente como se fosse um instrumento, a me tirar sons e a me fazer suspirar de desejo.

Posso sentí-lo atrás de mim, descendo as mãos sobre minha cintura, meus quadris, coxas, a tocar-me, tocar-me. E já de frente para você, não mais abro os olhos, pois quero somente o prazer de sua pele a esfregar-se na minha e o calor de seus lábios.


 

E sou levada àquela cama por seus beijos. Enquanto beija, ao mesmo tempo desliza os dedos pelas minhas costas, subindo pela minha nuca, a tocar-me os seios, apertando-os suavemente e ainda, a suga-los com sua boca, comprimindo sua face entre eles como se neles quisesse se perder. E eu suspiro meio aos seus toques que envolvem minha pele branca, já corada em brasa. Obcecada, coloco-me a lamber cada ponta de seus dedos, com um olhar malicioso, pois enlouquece-lo também quero. E com o corpo úmido deslizo sobre você como serpente, a descer e a subir, com o os seios já endurecidos de excitação, a fazê-lo dizer indecências, a perder a consciência.

Mas ainda não quer entregar-se e põe-se novamente a dominar-me. Desce sua boca pelo meu ventre, coxas, sexo, onde já tremendo peço por favor que continue. E o desejo mais e mais, totalmente sua, entregue às suas vontades, presa a um vai e vem frenético, atrás de mim, sobre mim, abaixo de mim, entre....

Porém, fujo de você, com desejo de torturar-te. Insaciado, enlouqueces com minha falta. E com o corpo a pulsar de urgência, ataca-me como animal selvagem querendo devorar-me, segurando-me firme entre mãos, impondo sua língua a minha, como que querendo penetrar-me de todas as formas. E todo dentro de mim, a investir compulsivamente em minha carne, ainda arranho-te, agarrada ao seu corpo nu e aos seus cabelos, já molhados com nosso ardor. E com meu corpo já a curvar-se em delírio, me tens por inteira, ofegante, até perder as forças em um gozo desesperado. Ainda em tempo de banhar meu corpo, meu rosto com seu sêmen, em seu último gesto de energia audaz. E a agora parado, ainda sobre mim, abraça-me. E por tudo isso, não mais apenas desejo-te... como o amo e lhe sou fiel, meu senhor.

 

 

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