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esotérica
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Divagações do Aprendiz de Mago crônica esotérica por DONNA CANSADO DA MOVIMENTAÇAO DA CIDADE, O APRENDIZ DE MAGO DECIDIU IR AO PARQUE MAIS PRÓXIMO. ENCOSTOU-SE NUMA ÁRVORE PARA FAZER AS ANOTAÇÕES DE SEU LIVRO MÁGICO. |
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"No meio da multidão, quando me conscientizo do frenesi que todos nós vivemos, vejo várias lágrimas furtivas, ou o peito ereto dos egos inflados, essa falsa capa de proteção, e os mais variados vícios para "esquecer". Posso ver a minha volta, o espetáculo das aparências, dos elogios e ofensas, esta dupla bastante ordinária, que comanda a vida de todas as pessoas, que almejam por aprovação sem auto aprovação. A essência fica limitada dentro de tantas preocupações, não? Até mesmo os "originais" e "excêntricos" tem o prazer de chocar aos outros pelo desejo no fundo de "aparecer". De onde surgiu tamanha necessidade? A verdade é que todos nos sentimos carentes da única coisa que se traduz em plenitude no mundo de caos: o amor." |
De repente o jovem mago sentiu a arvore atrás de si, como se estivesse curiosa sobre o que escrevia e estivesse rindo de seu idealismo. Continuou:
"Ora, pode parecer frase feita, mas é só o que queremos, aceitação, afeição. No entanto, somos feitos de puro amor. Quem não o descobriu dentro de si, pode trabalhar até se acabar, beber até morrer, receber aplausos, reconhecimento, roubar, matar, se drogar, fechar-se como um pobre animal ferido e continuará sentindo falta de algo no íntimo, aquilo que não se deve buscar nos outros, mas em si mesmo, o amor pleno e incondicional , o amor próprio e o amor ao outro e todos os seres, mesclados em uma unidade. Obs: as árvores estão incluídas."
O aprendiz virou para olhar a arvore, depois da observação. Ela agradeceu com sua beleza e sombra. Continuou a escrever:
"Amor próprio nada tem a ver com o ego, mas sim com o ser existencial, aquilo que de fato somos essencialmente. Talvez a palavra próprio não seja a mais correta, pois este amor não nos pertence, apenas flui entre nós e o universo. Quando percebemos o amor, compreendemos o equilíbrio, a simetria e por conseqüência a beleza da vida. E melhor ainda, percebermos que fazemos parte dela. "
O APRENDIZ DESCOBRE SUAS "FERRAMENTAS"
"No silêncio, nossa razão dá a chance aos sentimentos , nossos canais, nossas percepções se expandirem, e então, compreender o todo, e trazendo com isso o bem estar físico. A razão é um alicerce para que façamos as escolhas dos nossos caminhos, e quando alimentada de sabedoria, melhor estas são. Porém, a razão não é o único instrumento que temos disponível, possuímos as percepções, que nos indicam o que nos alimenta a alma, e o físico, que merece nossos cuidados como nosso templo.
A razão unida a percepção e com o corpo em equilíbrio forma uma totalidade de ferramentas, capaz de se sintonizar com a realidade da unidade. Cada ferramenta possui uma forma diferente de busca, mas com um mesmo objetivo. A razão não é uma vilã quando alia -se as emoções. Duas faces de uma mesma moeda, uma que une, outra que discrimina, mas que não podem existir uma sem a outra. O sentimento de razão e emoção unidos, só pode ser experimentado quando a razão perde a arrogância e se deixa criticar pelos sentidos, ou vice-versa, depende do extremo que cada indivíduo vive.
O jovem aprendiz, subitamente parou de escrever e lembrou-se das críticas de um velho mago que lhe disse:
"Vc é muito sensível, se deixa guiar apenas por rompantes, onde está sua razão? Provavelmente vive de prazeres, é um alienado ou chora de pena dos oprimidos sem poder se mexer a favor, apegado a coisas e pessoas. Vc é muito racional, pode passar anos discutindo sobre os problemas mundiais sem mover um dedo? Provavelmente vc não sente os dramas alheios, vive apenas na sua abstração articulando discursos, compreendendo, mas sem compaixão pelo outro, ou na pior das hipóteses, se encolhe com medo das emoções. Já com todos as partes em harmonia, se fala, se envolve, se impulsiona, se pratica! O verdadeiro mago é aquele q sabe jogar com o sobe e desce da vida, que vive no eterno descobrir! Busque o seu caminho independente, não como um dono da verdade, mas como alguém que conhece e respeita as múltiplas consciências e tem discernimento para sua aplicação.
Nós humanos temos talvez o maior dos desafios , a consciência da mobilidade das virtudes e vícios, causa de todas as nossas buscas tanto externas quanto internas."
O aprendiz escreveu suas últimas linhas no livro e o fechou.
Bom, já expus bastante o que queria a minha mente e meu espírito está satisfeito. Voltarei a mobilidade da vida então, pois tenho fome de experiências!!! - pensou ele consigo. Levantou-se, e se foi.
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