
Traumas no cérebro podem provocar percepções extrasensoriais despertando o sentido da "vidência", visões da realidade passada ou pré-visões de fatos que estão por acontecer. As pesquisas neurológicas mais recentes estão desvendando a relação entre cérebro e percepção especialmente quando se alteram as relações de troca de informações entre os hemisférios esquerdo e direito do orgão. Em geral, o cérebro está sempre ocupado com a interação entre estas duas regiões. Certos acidentes, que afetam justamente essa função, o trânsito dos estímulos entre os hemsiférios esquerdo e direito, acabaram chamando a atenção dos estudiosos porque entre os pacientes (ou as vítimas) de lesões no cérebro, muitos desenvolveram o "dom da profecia".
O cientista francês Patrick Jean Baptist, em seu livro The Biology of God, compilando e analizando dados de numerosos experimentos realizados nos Estados Unidos, encontrou evidências de que os seres humanos têm uma habilidade psico-biológica de conhecer o Universo em níveis de percepção que vão muito além do "mundo material", que os sentidos comuns nos oferecem. Com ajuda de voluntários, os neurocirurgiões estudaram a reação do cérebro quando a troca de informações entre os dois hemisférios é reduzida abruptamente.
Descobriram que nesta condição a percepção se altera estranhamente. O isolamento do hemisfério esquerdo modifica, sobretudo, a consciência de autopercepção. Esotéricos de todos os tempos alcançam estado de consciência através da meditação e umavidade reclusão e isolamento. Não é sono nem vigília, mas é um transcender a si mesmo. Os profetas da Antiguidade usavam esses métodos para "receber visões" que eram consideradas "mensagens de Deus".
A arqueologia sugere que nem todos os místicos do passado foram naturalmente dotados de vidência nem passavam décadas meditando para alcançar este tipo de "iluminação". Em muitas escavações de sítios milenares, em culturas de todo o mundo, foram encontrados crânios com sinais de trapanação. A cirurgia com abertura do crânio foi amplamente conhecida em épocas remotas. É uma das práticas mais tradicionais da história da medicina. Pictografias pré-históricas mostram grande interesse nas funções do cérebro, o mais misterioso dos orgãos humanos.
A trepanação consiste na remoção de um pedaço do crânio (que pode ser nos ossos parietal, frontal ou ocipital) de um paciente vivo. A "massa cinzenta", que fica exposta, é protegida por uma membrana fibrosa. No passado as operações eram feitas sem anestsia e sem assepsia, mas os cuidados com a membrana permitiram que muitas operações fossem feitas com sucesso, sem incidência de infecção no cérebro. Homens, mulheres e crianças foram operados embora, os homens adultos sejam mais freqüentes. A recuperação é espantosa.
A prática remonta ao Neolítico (7 mil anos) e os antropólogos querem saber com que fim homens pré-históricos se aventuraram em uma pesquisa tão perigosa e macabra. Motivos religiosos, crença em espíritos, são sempre cogitados mas o fato é que a hipótese da necessidade médica parece ser um bom motivo: dores de cabeça, fraturas, infecções, insanidade ou convulções podem ter inspirado a idéia de fazer a primeira cirurgia. Em casos de fratura do crânio, pode ter sido feita pela mesma razão atual: diminuir a pressão sanguínea intracraneana. Alguns crânios foram operados várias vezes.
Entretando, nem todos os crânios "trepanados" haviam sofrido trauma anterior. As operações foram feitas em pacientes vivos mas também em pacientes mortos, o que sugere um interesse diferente na prática: obter um pedaço do crânio ou obter seu conteúdo, objetivamente ou subjetivamente. O crânio contém "massa cinzenta" mas pode ser facilmente associado a um "contingente de pensamentos", do próprio espírito.
FONTES
People suffering from cranial injuries develop extraordinary abilities
PRAVDA/ENGLISH - publicado em 23/10/2006
TREPHINATION, AN ANCIENT SURGERY. UIC - Universidade of Illinois at Chicago
acessado em 04/11/2006
pesquisa & tradução: Ligia Cabús (Mahajah!ck)
edição: Jahmusic, 04 de novembro de 2006
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