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biologia ─ paleovirologia
Did Prehistoric
Viruses Trigger Human Evolution?
Quando o mapeamento do genoma humano foi
concluído, em 2003, os pesquisadores descobriram um fato chocante:
nossos corpos estão cheios de detritos de retroviroses;
fragmentos, resquícios de códigos químicos de materiais genéticos de
parasitas viróticos de todos os tempos; pré-históricos, até. A
descoberta dá origem a uma nova disciplina científica: paleovirologia [paleovirology],
que se propõe a entender o desenvolvimento das doenças contemporâneas
pelo estudo da história genética de antigas viroses.
Os microorganismo patogênicos, os vírus especialmente, uma vez que tenham infectado o DNA de uma espécie, essas criaturas, mesmo quando subjugadas, deixam uma herança que passa a fazer parte dos indivíduos que foram hospedeiros: sua marca, feita de fragmentos de seu [dele, o microorganismo] RNA, fica no DNA da espécie infectada; é um registro que permanece ao longo de Eras, remontando milhões de anos. Registro que fala de Batalhas moleculares travadas por incontáveis gerações e que influenciaram de modo determinante no processo da evolução.
Junk-DNA ─ Esses fragmentos virais [patogênicos] são fósseis que trazemos em nós, relíquias da evolução; é o Junk-DNA, o DNA-lixo ou lixo do [ou no] DNA ─ que tem sido considerado por alguns, até agora, como um material inútil; por outros, algo cuja função a ciência desconhece.
Porém novos estudos estão desvendando o Junk-DNA e revelam que o lixo, pode não ser tão lixo como se pensava. Na França, o cientista acadêmico Thierry Heidmann, do laboratório do Institut Gustave Roussy, Paris [dedicado ao tratamento e erradicação do câncer] ─ suspeitava que se um retrovírus infecta uma célula reprodutiva, espermatozóide ou óvulo, o que é uma ocorrência rara; e se esse embrião, gerado de uma célula assim, sobrevive - o que também é raro ─ o retrovírus se integra ao programa genético do portador, [daquele que foi gerado a partir de célula infectada pelo retrovírus] e passa a ser uma herança que passa de mãe para filho, de uma geração para outra como se fosse um gene determinante da cor dos olhos. Michael Specter, explicou as descobertas de Heidmann escrevendo no The New Yorquer: |
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O vírus ressuscitado foi chamado Fênix [Phoenix] por razões óbvias: Fênix é o pássaro místico que renasce das próprias cinzas. Para os que temem essas ressurreições de perigosos microorganismos Heidmann esclarece que sua intenção é determinar que papel essas heranças genéticas virais desempenham na evolução da espécie humana.
Não é algo para se se temer, mas para ser comemorado ─ acredita Heidmann. O mais curioso é perceber que os agentes das retroviroses endógenas são, ao mesmo tempo, genes e vírus; e enquanto genes, contribuem para fazer de nós o que somos. Não estou certo se teríamos sobrevivido como espécie sem esse mecanismo de incorporação do gene do vírus ao genoma humano. O Fênix pode ajudar a entender como o HIV funciona, por exemplo mas, além disso, o Fênix pode esclarecer como nós funcionamos, como nós evoluímos. Muitos estudam a evolução humana atentando a aspectos como o bipedalismo, a postura ereta ou o significado da domesticação de animais. Eu creio que igualmente importante é o papel da patogenias [das doenças] no modo como nós somos hoje.
O Fênix pode ajudar a entender como o H.I.V. funciona, por exemplo mas, além disso, o Fênix pode esclarecer como nós funcionamos, como nós evoluímos. Muitos estudam a evolução humana atentando a aspectos como o bipedalismo, a postura ereta ou o significado da domesticação de animais. Eu creio que igualmente importante é o papel da patogenias [das doenças] no modo como nós somos hoje.
Heidemann exemplifica citando o processo e gestação e nascimento [vivíparo]: sem a retroviroses endógenas talvez os mamíferos jamais tivessem desenvolvido a placenta. [Talvez nem houvesse mamíferos]. A placenta é a proteção e a conexão entre os organismos do feto e mãe. Sem a placenta o bebê não poderia ficar nove meses desenvolvendo-se no útero de modo a poder amadurecer e desenvolver por completo a configuração dos sistemas vitais.
A gestação em placenta é uma das respostas para a predominância da espécie humana sobre os pássaros, répteis e peixes. Ovos não eliminam detritos nem podem fornecer nutrientes por muito tempo de gestação; e sem esse tempo de gestação não é possível que um cérebro se desenvolva o suficiente para uma espécie ser tão versátil quanto a espécie humana. Heidmann conclui: É muito possível que, sem as viroses, os seres humanos se reproduzissem botando ovos. Meditemos... |
edição:
Sofä da Sala
setembro, 2009