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O Cheiro da Morte
Fonte: WALKER, Matt. Ancient
'smell of death' revealed
In BBC Earth News publicado em 09/09/2009. Trad. [ligiacabus@uol.com.br]
[http://news.bbc.co.uk/earth/hi/earth_news/newsid_8232000/8232607.stm]

Quando os animais morrem, seus cadáveres
exalam um cheiro particular; um fedor de morte que, os cientistas
descobriram, provoca repulsa em seus parentes vivos. Cadáveres das
espécies mais diversas, sejam insetos ou crustáceos, todos produzem o
mesmo cheiro ruim, resultado da mistura simples de ácidos graxos. No
passado, os vivos aprenderam a reagir ao cheiro afastando-se daqueles
que sucumbiram a doenças ou em lugares freqüentados por predadores. Esse
sistema de reconhecimento da morte parece remontar 400 milhões de
anos.
O cheiro da morte foi desvendado por uma
equipe de pesquisadores da McMaster University chefiados pelo professor
David Rollo, em Hamilton ─ Canadá. A novidade foi publicada no jornal
Evolutionary Biology. Os cientistas depararam-se com o fenômeno
estudando baratas. Conta Rollo: Nós estávamos examinando o
comportamento coletivo, gregário das baratas.
Quando uma barata encontra um bom abrigo e
exala feronômios que atraem outras de sua espécie. Investigando a
química envolvida nesse sistema a equipe extraiu sucos corporais de
baratas mortas e observaram o efeito da substância sobre as baratas
vivas.
Rollo relata: Ficamos espantados quando constatamos que 100% das
baratas evitavam, fugiam dos locais tratados com o extrato [de cadáver
de barata]. Alguma coisa naquele composto produzia repulsa em todos os
insetos vivos. Começamos, então, um extenso trabalho analítico para
identificar exatamente o quê produzia a fuga das baratas. Consideramos
várias possibilidades: talvez as baratas que primeiro sentiam o cheiro
de barata morta emitissem um sinal de alarme para a comunidade. Mas,
enfim, percebemos [essa coisa do cheiro] ─ que a barata morta exala um
odor característico inconfundível para outras baratas.
Rollo continua o brilhante raciocínio lembrando um velho artigo do
famoso sociólogo e ecologista E.O. Wilson: Wilson descobriu que as
formigas retiram os cadáveres de seus semelhantes de seus ninhos
sepultando-os em locais [que funcionam como] cemitérios. E mais, ele
identificou um sinal ativo [de morte: ácido oléico [que é um ácido
graxo]. Uma anedota famosa sobre o trabalho de Wilson diz que uma gota
de certo ácido graxo sobre uma formiga viva e saudável é suficiente para
que as outras a arrastem para o cemitério.
Os pesquisadores meditaram e concluíram que,
muito possivelmente, as baratas possuíam um senso olfativo informativo
semelhante ao das formigas, capaz de detectar a fragrância da morte; e o
odor das baratas mortas também era proveniente de ácidos oléicos e
linoléicos. Porém, uma questão intriga os cientistas: milhões de anos
separam o surgimento das formigas do surgimento das baratas no mundo. No
entanto, os cadáveres de ambas as espécies produzem cheiro de morte com
a mesma base bioquímica.
Outra espécie de inseto muito primitivo, a collembola [artrópode
semelhante a um pulgão ou percevejo, muito pequeno, entre 3 a 5 mm de
comprimento, canibal mas que também se alimenta de tecidos mortos,
bactérias, fezes de outros artrópodes. [Em português: colêmbolo]. Esses
colembolla também se orientam detectando o odor dos mesmos ácidos
graxos para reconhecer pele e outros materiais orgânicos mortos.
Os experimentos, finalmente, revelaram que
esse sistema de reconhecimento do semelhante morto é amplamente presente
nos seres vivos. Como acontece com o Bicho-de-Conta, o tatuzinho [woodlouse,
plural: woodlice], crustáceo terrestre, usa a mesma função
biológica para reconhecer seus mortos, estejam os cadáveres esmagados ou
intactos. experiências outras realizadas com outras espécies de insetos
resultaram na mesma conclusão: os mortos exalam o cheiro da morte e os
vivos se afastam quando se deparam com tal cheiro.
Ora, insetos e crustáceos, tal como as baratas e as baratas e as
formigas, são historicamente-biologicamente distantes em milhões de
anos. Todavia, insetos, crustáceos, baratas, todos parecem derivar de um
ancestral comum, aquático. Por extensão, é de se supor que toda a fauna
terrestre reconhece o semelhante morto da mesma maneira.
É uma habilidade muito útil e dispensa maiores aproximações para
constatar a morte de um semelhante ou mesmo de uma criatura de outra
espécie. Professor Rollo conjetura: Considere que você entrou em um
local onde há membros recentemente mortos de sua espécie. Mais ainda,
suponhamos que tenham morrido de peste bubônica. Reconhecendo e
esquivando-se da morte, do cadáver, são significativamente reduzidas as
chances de contaminação por uma doença altamente infecciosa. Manter a
distância do corpo. em qualquer estágio de sua deterioração, pode poupar
alguém de adquirir uma doença grave ou, ainda que vá adiante e se
exponha um pouco, pode ser suficiente apenas para ativar o sistema
imunológico do indivíduo [em risco].
A pesquisa somente vem a confirmar um fenômeno que o povo mais simplório
conhece de longa data. É um aprendizado olfativo consolidado ao longo de
incontáveis gerações. O cheiro de morte, o algo aqui não cheira bem, é o
cheiro de morto; no caso humano, um odor que nas cerimônias fúnebres
combina-se com o cheiro de funeral. A ciência comprova o que qualquer
urubu sabe por instinto e experiência pessoal da cultura
urubúsica: morto fede. Meditemos...
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Cheiro de Medo
Sabe-se muito pouco sobre como animais usam o olfato para pressentir o
perigo. Por exemplo:
Vários mamíferos, incluindo veados, cervos, marmotas e coelhos fugirão
do cheiro de sangue. Também se afastam de certos sabões que possuem na
fórmula grandes porções de ácidos graxos.
Os ratos selam, bloqueiam a entrada de seus esconderijos,
buracos, que foram tratados com excrementos de gato. E os camundongos
são capazes de perceber se outro rato foi exposto à radiação ou se é
portador de algum vírus.
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